Desde o meu lugar de fala, sou muito jovem afinal, digo que de fato um dos maiores erros da esquerda foi na relação que estabeleceu com a formação intelectual da juventude – como muitos já perceberam. Por outro lado, vejam, corremos o risco de nesta “aurora dos tempos” em que o conservadorismo está sendo discutido nas universidades, que editoras trazem bibliografia etc, entrar novamente numa bolha, ou pior, em um balão mágico.

O jovem é um curioso por excelência, tem síncopes frente a todo tipo de status quo e é vivo o bastante para achar meios de derrubá-lo. Quando São Tomás era a única fonte apareceu Descartes e inverteu o jogo. Como guerrilheiros, os racionalistas se atrincheiraram nas universidades contra seus sábios e idosos professores até que a geração passada foi completamente engolida – surgiu uma nova elite intelectual, o novo beautiful people; a isso se sucederam os empiristas, os idealistas, os materialistas.

Ah, os materialistas! Imagine o quão empolgante não era dizer que homem e vaca são a mesma coisa! Mas, passado certo tempo todos eram materialistas, tudo era materialismo. Cansativo para uma mente juvenil. Não havia onde se esconder, já que o velho barbado e seus filhinhos estavam em todos os lugares.

Daí que a juventude se partiu: havia quem por inquietação e sede de saber cedia ou se fechava em grupos secretos para estudar o catecismo e quem simplesmente desistisse de pensar. (Além do fato do materialismo ser uma das mais alucinógenas doutrinas já criadas, que com certeza contribuiu muito para a tragédia).

Como manter uma militância que não sabe pelo que militar? Professores universitários fechados em suas bolhas – eis a Besta – não sabiam o que era tomismo, racionalismo, empirismo e idealismo, só sabiam dizer que homem e vaca são iguais. E assim chegamos no estado atual das coisas, a transição para uma “nova era”. Mas em que esta se difere das anteriores?

Enquanto não houver guerra na sala dos professores, docentes de linhas completamente diferentes dividindo as mesmas cadeiras, mil editoras acadêmicas trazendo publicações alienígenas, parece que o ciclo irá continuar indefinidamente. Em algum tempo veremos uma saturação da nova corrente dominante e o nascimento de outra válvula de escape juvenil.

A juventude precisa de liberdade para escolher pela Verdade, e isto me parece essencial para uma mudança “definitiva”.

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